Com obras transformadoras e políticas centradas nas pessoas, Gladson Camelí conclui gestão reafirmando gratidão ao Acre: ‘Páginas importantes da minha história’

Mandatos marcados pela dualidade entre desafios e avanços separaram o Acre de antes e de depois da gestão de Gladson Camelí, refletida em duas fases: o primeiro mandato, de 2019 a 2022, e o segundo, de 2023 a 2026. Focada em pilares de uma administração pública humanizada, Camelí entrega um Estado diferente daquele que assumiu há sete anos.

Governador deixa o cargo do Executivo nesta quinta-feira, 2. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Tendo o cuidado com as pessoas como lema principal, o governador, que passa a gestão para a vice-governadora Mailza Assis a partir desta quinta-feira, 2, para cumprir os prazos de desincompatibilização eleitoral, deixa um legado de obras que transformaram a infraestrutura e a mobilidade do Acre, foco de sua administração, além de contas públicas equilibradas e da marca de ser um dos governos que mais empossou servidores aprovados em concursos públicos.

Primeiro ato do governador foi organizar as contas públicas. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Camelí também entregou resultados expressivos na redução de danos durante um dos períodos mais tensos para qualquer chefe de Estado: a pandemia, que se estendeu de forma exponencial entre 2020 e 2023, quando a Organização Mundial da Saúde declarou o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) referente à covid‑19. “Um período em que decisões precisavam ser tomadas com precisão e, muitas vezes, em menos de dez minutos”, relembra Camelí.

Equilíbrio fiscal

O primeiro ato de Gladson Camelí foi ajustar as contas do Estado, incluindo a quitação total das verbas rescisórias pendentes de ex-servidores estaduais, cujo pagamento havia sido dividido em quatro lotes. Ao iniciar sua agenda de despedida do Executivo estadual, o governador pontuou essa mudança.

“Assumi um Estado com grandes desafios financeiros e entrego um Acre com contas equilibradas, salários em dia e obras estruturantes em todos os municípios. Sigo com o coração tranquilo, confiante de que Mailza dará continuidade a esse trabalho com competência e compromisso”, destacou.

Para que a gestão pudesse avançar, o governador relembra que precisou reestruturar toda a máquina pública e promover uma reforma administrativa.

“Reestruturamos a máquina, voltamos a ter credibilidade perante todos os nossos fornecedores e servidores, pagamos o que estava atrasado. Foquei em manter a credibilidade financeira em alta, e quando se atrasa pagamento, automaticamente isso gera incerteza e insegurança para as pessoas”, explica.

Após realizar todo o alinhamento no primeiro ano de governo, ainda no primeiro mandato, em 2020, todos foram surpreendidos mundialmente pela pandemia do coronavírus.

Governador lutou pela vacina, em busca de recursos e para preservar a vida. Foto: Neto Lucena/Secom

Luta pela vida

A pandemia abalou a humanidade como um todo e, para o governador, foi o momento mais tenso de sua gestão. O objetivo era amenizar o impacto sobre a população do estado. Em um período em que as fronteiras eram fechadas, Camelí escolheu acolher.

O Acre, situado em uma região de tríplice fronteira, vivenciou um movimento inverso de imigrantes que antes haviam entrado no Brasil e agora tentavam retornar aos seus países.

Com as nações fechando suas fronteiras e em meio a um cenário em que se corria contra o tempo, o governador relembra que precisava tomar decisões em menos de dez minutos, ciente de que cada escolha impactaria diretamente a população.

Diante das incertezas, ele concentrou esforços em garantir recursos, oxigênio e medidas que assegurassem proteção à população.

Enquanto o mundo fechava suas fronteiras, governador Gladson Camelí escolheu acolher. Foto: Diego Gurgel/Secom

‘Meu compromisso era salvar as pessoas’

Uma das ações mais importantes foi a instalação de uma usina de oxigênio com capacidade para produzir 30 mil metros cúbicos por mês, o que evitou, no Acre, colapsos registrados em outros estados. Além disso, o governo criou, em tempo recorde, dois hospitais de campanha, em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.

“Uma das cenas que mais me marcou, e ainda tenho essa fotografia em um porta-retrato no meu escritório, aconteceu numa noite em que o secretário de Segurança me ligou dizendo que havia um ônibus preso na fronteira, com imigrantes que tentavam deixar o estado, mas não conseguiam porque a fronteira estava fechada. Perguntaram se iríamos acolher aquelas pessoas, pois, na prática, quanto mais acolhíamos, mais precisávamos considerar que seria um leito a menos para nossa população. Naquela noite, perguntei se havia crianças no ônibus e me responderam que sim. Assumi a responsabilidade e pedi que liberassem, porque meu compromisso era salvar as pessoas”, relembra, emocionado.

Tudo isso resultou não apenas nos impactos da pandemia, mas também em uma crise migratória no estado, devido à sua posição geográfica, e o tempo era o principal termômetro. “Havia decisões de Estado para as quais eu tinha dez minutos para responder, ou o prejuízo seria maior. Então, recorria ao conselho que criamos e tomava a decisão”, conta.

Na pandemia, a luta pela vida era o foco do governador. Foto: Diego Gurgel/Secom

Vestiu a camisa

Enquanto o tempo corria, Camelí buscava recursos para que as vacinas chegassem o mais rápido possível à população do Acre.

Um dos episódios mais emblemáticos durante as tratativas para trazer a imunização ao estado ocorreu quando, ao usar uma camiseta personalizada com a frase “VACINA #MIMDÊQUEEUTOMO” durante uma entrevista ao vivo, a hashtag viralizou e tomou conta das redes sociais no então Twitter, atual X, nos primeiros dias de janeiro de 2021.

Governador incentivou a produção de café no estado. Foto: Ingrid Kelly/Secom

O lema impulsionou campanhas e incentivou a população a se vacinar.

“O que é de fato e de direito é que eu, sozinho, não consigo vencer esse mal que é a covid‑19. Nós, juntos com Deus e com a população, nessa grande corrente, vamos vacinar, vamos nos proteger e vamos vencer. Venha participar dessa campanha e nos ajude a salvar vidas; não podemos mais conviver com a perda de pessoas que amamos. Vamos virar essa página e seguir nossa vida com tranquilidade”, disse na época.

A sensibilidade do governador também se irradiou em cada perda, sentida com a mesma intensidade que qualquer dor. O período foi marcado por despedidas dolorosas, homenagens e, hoje, conta com um memorial para que o Acre não esqueça daqueles que partiram em momento tão difícil. Um monumento guarda a história e as dores da população acreana.

Prato Extra, programa do governo do Acre beneficia 125 mil estudantes diariamente no estado. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Educação e desenvolvimento

O Estado também registra avanços significativos na área da educação, com a criação do programa Prato Extra e outros incentivos aos estudantes, como a entrega de tablets em todas as escolas, incluindo as unidades indígenas. Além disso, o governo passou a fornecer gratuitamente fardamento e kits escolares.

Para o governador Gladson Camelí, qualquer projeto de desenvolvimento precisa incluir as crianças, a quem ele se refere como “suas autoridades”.

“A criação do Prato Extra foi pensada para garantir que as crianças estejam alimentadas, porque ninguém aprende de barriga vazia. Pedi que minha equipe encontrasse uma forma de atender essa necessidade. As crianças são o meu foco; elas representam o futuro do nosso estado e do país”, destacou.

A qualificação dos jovens também foi ampliada. O investimento total na política pública de formação técnica e profissional ultrapassa R$ 27,9 milhões nos últimos anos, com recursos repassados pela Secretaria Estadual de Educação (SEE) ao Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec). Somente na formatura realizada na terça-feira, 24 de março, mais de R$ 6 milhões foram aplicados.

Mais de 7,3 mil nomeados em concurso

Outro marco da gestão de Gladson Camelí está na geração de empregos e na garantia dos concursos públicos. De 2019 até os três primeiros meses de 2026, foram nomeados 7.432 servidores efetivos, oriundos tanto de concursos realizados na atual gestão quanto de seleções promovidas por governos anteriores.

O maior exemplo desse compromisso com a educação foi a realização do maior concurso da história da pasta, que incorporou 2.614 novos servidores ao quadro efetivo da Secretaria de Educação. O impacto financeiro anual desse reforço ultrapassa R$ 221,8 milhões. Além de ser o maior concurso já realizado, foi também o primeiro a oferecer vagas específicas para a educação especial.

Maior exemplo desse compromisso com a educação foi a realização do maior concurso da história da pasta, que incorporou 2.614 novos servidores ao quadro efetivo da Secretaria de Educação. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Quando se contabilizam os empregos gerados por meio de processos seletivos, o volume também demonstra o comprometimento do Estado com o funcionamento dos serviços públicos, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal e mantendo os salários em dia.

Os convocados por meio de processos seletivos simplificados somam 22.950, totalizando 30.382 contratações entre servidores efetivos e temporários ao longo da gestão.

“Realizamos uma grande renovação em todo o nosso serviço público, contratando de forma efetiva milhares de novos servidores em todas as áreas da gestão, por meio de concursos. Fizemos grandes obras e reformamos praticamente todos os nossos prédios públicos. Melhoramos a nossa infraestrutura e incentivamos a produção pecuária e agrícola, da mesma maneira que criamos incentivos para a indústria e o comércio do Acre”, pontuou o governador.

Gladson Camelí com a população durante a entrega da Ponte Sibéria, em Xapuri. Foto: Neto Lucena/Secom

‘Diminuir diferenças’

Também durante a gestão de Camelí, a iniciativa privada foi fortalecida. O governo criou programas estaduais que determinam que as secretarias priorizem a compra de produtos e serviços de empresas acreanas, estimulando o setor produtivo local.

No que diz respeito à Educação, a pasta sempre foi tratada como prioridade, pois o governador defende que esse é o caminho para o desenvolvimento do estado. “A base de uma sociedade é a educação. Se queremos sonhar com um Acre desenvolvido, com a diminuição das nossas diferenças sociais, o caminho é uma educação de qualidade. Foi nisso que me concentrei nesses sete anos como governador. Os resultados, muito em breve, o futuro nos revelará.”

Produção sustentável foi o foco do governador. Foto: Foto: Odair Leal/Secom

Da base rural ao impulso na economia estadual

As áreas de Agricultura e Meio Ambiente avançaram de forma integrada durante a administração de Camelí. O desenvolvimento econômico do estado passou a ser impulsionado a partir do campo, transformando a zona rural em motor do crescimento e fortalecendo um modelo de produção sustentável.

O café tornou-se um dos principais exemplos desse avanço. Com práticas sustentáveis, a produção do grão cresceu 115,4%, alcançando 6.632 toneladas em dezembro. De maneira geral, a safra registrou resultados históricos, impulsionados pelo apoio do governo, que ampliou a entrega de insumos e fortaleceu o trabalho do produtor rural.

Com esse desempenho, o estado consolidou-se como protagonista na produção de café e também no desenvolvimento sustentável.

“Nesses sete anos que estou como governador do Acre muita gente disse que abandonaríamos o meio ambiente, mas o que fizemos foi investir cada vez mais em diversos projetos ambientais e cuidamos dos nossos maiores tesouros, que são as vidas humanas e os nossos recursos naturais. Criamos a Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas para direcionar aos povos originários políticas públicas que melhorem a qualidade de vida dos moradores das nossas aldeias. Ao mesmo tempo em que fortalecemos o Instituto de Mudanças Climáticas”, enfatizou.

Obras que melhoram a infraestrutura chegaram a todos os municípios, como a duplicação da AC-405 em Cruzeiro do Sul. Foto: Foto: Diego Gurgel/Secom

Obras que mudam vidas

Um dos lemas mais marcantes dos discursos do governador Gladson Camelí, o compromisso de “criar pontes”, materializou-se em obras que transformaram a mobilidade e a infraestrutura do estado. As pontes de Sena Madureira e Xapuri, aguardadas há décadas pela população, finalmente saíram do papel. Para Camelí, acessibilidade vai além do direito de ir e vir: representa saúde, educação e dignidade para os acreanos.

Entre as ações estruturantes, destacam-se a duplicação da AC-405, a abertura e melhoria de acessos em ramais e as pavimentações que facilitam e desafogam o trânsito. Além disso, a Variante de Xapuri passou a impulsionar o desenvolvimento de uma área estratégica, localizada em um ponto de grande fluxo no estado, mudando o cenário econômico e logístico da região.

Impacto é sentido no dia a dia das pessoas que dependem da estrada. Foto: Pedro Devani/Secom

O governador Gladson Camelí sempre fez questão de rebater críticas sobre a ausência de grandes obras em sua gestão. “Dizem que o nosso governo não realizou grandes obras, mas se esquecem das pontes de Sena Madureira e de Xapuri, da duplicação da estrada do aeroporto de Cruzeiro do Sul, do complexo viário de Brasileia, da Variante de Xapuri e de muitas outras intervenções que eu passaria a manhã inteira listando”, afirmou.

Ele também destacou que encerra o mandato com tranquilidade. “Posso afirmar que descerei as escadas do Palácio Rio Branco de cabeça erguida e com a consciência tranquila. Fizemos o que muita gente não acreditava, e tenho certeza de que estou deixando um estado melhor do que encontrei.”

Governador Gladson Camelí conta que sempre teve o sonho de ocupar o maior cargo do estado. Foto: José Caminha/Secom

Do sonho à liderança do Acre

Foi ainda criança que o sonho de ser governador foi gerado no coração de Gladson Camelí. Nascido em Cruzeiro do Sul, ele conta que ainda criança disse a uma professora que ocuparia a cadeira do Palácio Rio Branco. Aos 48 anos, ele finaliza seu segundo mandato como governador e uma trajetória consolidada na política acreana.

Filho de Eládio Messias Cameli e de Linda Cameli, Gladson Camelí é pai de Guilherme Cameli. Pelo lado paterno é sobrinho do ex-governador do Estado do Acre, Orleir Cameli. E pelo lado materno, neto do ex-deputado estadual, Rezene de Souza Lima.

Uma gestão próxima da população foi um dos pilares do governo de Gladson Camelí. Foto: Neto Lucena/Secom

Entrou na vida pública aos 28 anos, quando foi eleito pela primeira vez deputado federal com 18.886 votos. Em 2010 foi reeleito deputado federal, com 32.623 votos, destacando-se à frente da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (CINDRA). Também foi destaque nacional como um dos campeões de liberação de emendas parlamentares, de acordo com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi).

Em 2014, elegeu-se senador com 58,36% dos votos válidos (218 mil votos). Nas eleições de 2018, elege-se governador do Acre no 1º turno com 23.993 votos (53.71% dos votos válidos), sendo reeleito em 2022 com 242.100 votos (56.75% dos votos válidos), também no 1º turno.

Sensível e empático, usou como lema do seu governo duas frases que resumem sua gestão: cuidar das pessoas e reduzir as diferenças. Em sua liderança, reforçou políticas públicas sociais, retomou a Secretaria da Mulher e fez um mandato pé no chão, próximo das pessoas e de cada uma das 22 cidades do estado.

Uma gestão plural, que se baseou em uma equipe que abraçou um plano de governo sensível às demandas dos acreanos e comprometida com o desenvolvimento do estado nas diferentes áreas.

Para Camelí, todos envolvidos no governo fizeram e fazem a diferença. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

O governador Gladson Camelí destacou o significado pessoal e político de encerrar seu ciclo à frente do Estado. “Deixo escritas aqui, no Palácio Rio Branco, algumas das páginas mais importantes da minha história como homem público e cidadão acreano”, afirmou.

Ele fez questão de agradecer aos servidores estaduais que contribuíram com a gestão.

“De maneira muito especial, manifesto minha gratidão a cada servidor, desde quem serve o café nas repartições, aos vigilantes, motoristas, auxiliares de limpeza, equipes administrativas, enfim, todos que colaboram no nosso dia a dia. Agradeço também aos secretários, secretárias e presidentes de autarquias e fundações. Cada um foi essencial para que eu pudesse cumprir minha missão de governar o Acre durante esse período. E, claro, sou grato ao povo do Acre pela confiança em mim depositada e saio com a certeza que fiz o que estava ao meu alcance”, finaliza.

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